Uma prática estoica
Me sinto sozinho: uma prática estoica para a solidão
Os estoicos não achavam que as pessoas foram feitas para viver sozinhas: Sêneca comparava a sociedade humana a um arco de pedra, que só fica de pé porque cada pedra se apoia na outra. A prática deles para a solidão tem duas partes. Transformar o tempo que você passa só em companhia de verdade consigo mesmo, e dar hoje um passo pequeno e concreto em direção a outra pessoa, sem esperar se sentir pronto.
Solidão não é a mesma coisa que estar sozinho. Dá para estar cercado de gente e se sentir invisível, ou passar um dia tranquilo sozinho e ficar bem. O que dói é a distância entre a conexão que você quer e a que você tem, e muitas vezes um julgamento que cresce dentro dessa distância: ninguém se importa, eu sou demais, sempre foi assim.
Os estoicos falavam com os dois lados. Valorizavam um tipo de recolhimento interior: Marco Aurélio escreveu que dá para se recolher na própria mente a qualquer momento e encontrá-la em silêncio. Mas eram igualmente firmes em dizer que somos sociais por natureza e que devemos cuidado uns aos outros, e as cartas de Sêneca são, elas mesmas, um gesto de amizade à distância. Então a prática não é fazer as pazes com o isolamento. É parar de se tratar como má companhia e, depois, se estender para fora de jeitos pequenos e possíveis.
Uma prática estoica de 5 minutos para a solidão
Os três primeiros passos são para você. Os dois últimos são para outra pessoa.
- 1Dê um nome preciso ao sentimento.
Você sente falta de uma pessoa específica, quer ser compreendido ou simplesmente não tem para quem ligar hoje à noite? Cada tipo de solidão pede um próximo passo diferente.
- 2Confira a história.
Procure a frase grudada no sentimento, como ninguém quer saber de mim. Pergunte que provas você tem de verdade, e se uma explicação mais gentil não é igualmente possível.
- 3Faça companhia a si mesmo por cinco minutos.
Prepare um café ou um chá, sente num lugar confortável e leia uma passagem devagar. Marco Aurélio chamava a mente de refúgio. Ficar só consigo de propósito é diferente de ser deixado sozinho.
- 4Faça um pequeno movimento para fora.
Mande uma mensagem curta para alguém com quem você não fala há um tempo. Não precisa de longa explicação: lembrei de você. Ou diga uma frase de verdade para alguém que você encontrar hoje.
- 5Faça algo por alguém.
Sêneca escreveu que aprendemos enquanto ensinamos e que o fluxo corre nos dois sentidos (Cartas a Lucílio VII). Ajudar, mesmo em algo pequeno, é um dos caminhos mais confiáveis de volta à conexão.
O que os estoicos escreveram
Nossas relações umas com as outras se assemelham a um arco de pedra — ele desmoronaria se as pedras não se amparassem mutuamente. O todo se mantém de pé porque cada uma se apoia na outra.
Vale guardar a imagem de Sêneca: você é uma pedra num arco, e o arco precisa de você tanto quanto você precisa dele. A solidão diz o contrário. Isto é um lembrete de que ela está errada.
Recolha-se em si mesmo o quanto for possível. Faça companhia a pessoas que o tornarão melhor. Acolha aqueles a quem você pode ajudar a melhorar. O fluxo corre nos dois sentidos — ensinamos enquanto aprendemos.
Duas instruções lado a lado: passe tempo consigo mesmo e escolha companhias que te tornem melhor. Os estoicos não viam essas coisas como opostas.
Mais sobre a solidão e a cidadela interior →A boa e a má fortuna não pertencem a uma só pessoa — partilhamos a existência. Ninguém vive bem pensando apenas em si mesmo, convertendo cada assunto numa questão de proveito próprio.
Ninguém vive bem fechado nas próprias preocupações. Quando você se sente isolado, voltar a atenção para o bem de outra pessoa costuma ser o primeiro passo para fora.
