Uma prática estoica
Ansiedade: o que fazer quando a preocupação toma conta
Quando a ansiedade toma conta, o movimento estoico é separar o que está de fato acontecendo agora do que a sua mente está prevendo, e depois perguntar qual parte disso depende de você. Sêneca percebeu que sofremos mais na imaginação do que na realidade. A prática abaixo leva uns cinco minutos e termina com uma ação pequena que você pode fazer hoje.
A ansiedade quase sempre é sobre o futuro. O corpo reage como se a coisa temida já estivesse aqui: aperto no peito, pensamento acelerado, vontade de checar só mais uma vez. Os estoicos não achavam essa reação vergonhosa. Sêneca escreveu que certos sentimentos chegam para todo mundo e não se desfazem com argumento. O que eles questionavam era a história montada em cima do sentimento: que o pior é certo, que vai ser insuportável e que se preocupar agora é um jeito de se preparar.
A ferramenta principal deles era uma separação simples. Epicteto abre o seu Manual dividindo o mundo entre o que depende de nós (nossos juízos, nossas escolhas, nossa próxima ação) e o que não depende (os outros, os resultados, o futuro). A ansiedade despeja toda a atenção na segunda pilha. A prática é trazê-la de volta para a primeira, com calma e quantas vezes for preciso. A ideia foi longe: Albert Ellis e Aaron Beck, que moldaram as terapias cognitivas modernas, reconheceram Epicteto como uma influência.
Uma prática estoica de 5 minutos para a ansiedade
Use um caderno ou o app de notas do celular. Escrever importa mais do que fazer do jeito perfeito.
- 1Diga o que está acontecendo agora.
Descreva o momento presente em uma frase simples, sem adjetivos: estou na minha mesa. Tenho um e-mail que não respondi. Fique só nos fatos que daria para fotografar.
- 2Escreva a previsão.
Agora escreva o que a sua mente diz que vai acontecer: vou perder esse emprego. Estão bravos comigo. No papel, isso vira uma afirmação a ser checada, e não um fato dentro do qual você vive.
- 3Separe em duas colunas.
Depende de mim: o que eu faço em seguida, como me preparo, o que eu digo. Não depende de mim: a reação dos outros, o resultado, o momento. Seja honesto. A maior parte da previsão costuma cair na segunda coluna.
- 4Faça a pergunta de Marco Aurélio.
Marco Aurélio dizia a si mesmo para não pensar na vida inteira de uma vez, e sim perguntar sobre este momento: o que há nisto que seja de fato insuportável? (Meditações VIII.36). Quase sempre a resposta é: nada, por enquanto.
- 5Faça uma coisa da primeira coluna.
Escolha a menor ação que é sua: mandar o e-mail, fazer a ligação, pôr a tarefa na lista de amanhã ou caminhar dez minutos. O resto pode esperar no lugar dele.
O que os estoicos escreveram
Mais coisas nos assustam do que nos esmagam — sofremos mais em nossa imaginação do que de fato. Permita-me oferecer algumas salvaguardas com as quais você possa se fortalecer.
Sêneca escreveu isso a um amigo que tinha medo do que podia acontecer. Ele não chama o medo de bobagem. Diz que a maior parte do que nos assusta nunca chega do jeito que imaginamos, então a versão imaginada merece uma segunda olhada.
Mais frases estoicas sobre o medo e a ansiedade →Por que invocar o infortúnio? Ele chegará por si bem cedo, e você estraga o hoje temendo o amanhã. Há insensatez em ser miserável agora porque a miséria talvez ainda venha.
O preço da preocupação é pago hoje, mesmo quando a coisa temida nunca chega. Vale lembrar desta frase quando a ansiedade se disfarça de responsabilidade.
Se os deuses têm poder, por que não rezar para que lhe deem a faculdade de não temer o que você teme, ou de não desejar o que você deseja, em vez de rezar para que as coisas aconteçam ou não aconteçam?
Marco Aurélio inverte o pedido. Em vez de pedir que o mundo saia de um certo jeito, peça firmeza para não ser governado pelo medo dele. Isso dá para praticar. O resultado, não.
Mais sobre o que depende de você →