Frases estoicas sobre o que podemos controlar
Se o estoicismo tem uma única ideia que sustenta as outras, é esta: algumas coisas dependem de nós e outras não. Nossos juízos, nossas intenções e nossas respostas são nossos. Nossa reputação, nossa saúde, as outras pessoas e o resultado de quase tudo, não. Epicteto abre seu manual com essa distinção porque dela decorre todo o resto. O sofrimento, na leitura estoica, é em boa parte o que acontece quando apostamos nossa paz em coisas fora do nosso alcance. As passagens abaixo são as formulações mais claras dessa divisão, e da liberdade que aparece quando você para de exigir que o mundo seja diferente do que é.
24 passagens — Marco Aurélio, Sêneca, Epicteto
Se você trabalha no que está diante de você, seguindo a razão com seriedade, vigor e calma — mantendo seu íntimo puro como se fosse devolvê-lo agora — nada esperando, nada temendo, dizendo cada palavra com convicção: você viverá bem.
Considere o homem que diz: “Vou comprar, construir, emprestar, cobrar, conquistar honrarias e, então, na velhice, entregar-me ao descanso.” Todas essas coisas são incertas, mesmo para os afortunados. Nenhum de nós tem direito sobre os dias que estão por vir.
O que se deve ter à mão em tais circunstâncias? Isto: o que é meu e o que não é, o que me é permitido e o que não é. Devo morrer. Devo então morrer lamentando? Devo ser acorrentado. Devo lamentar isso também?
Tal pessoa é como um sacerdote dos deuses: incontaminada pelo prazer, ilesa à dor, intocada pela ofensa, lutadora no mais nobre combate, tingida fundo de justiça, acolhendo com toda a alma tudo o que lhe é designado como sua porção.
Os seus males, enquanto você carregar as suas causas, vão desgastá-lo por terra e mar. De que adianta fugir? Aquilo de que você foge está dentro de você.
Algum homem me impede de seguir com sorrisos, com bom ânimo, com serenidade? Você vai me pôr a ferros? A mim, a ferros? Você pode acorrentar minha perna, mas nem o próprio Zeus pode dominar a minha vontade.
Nunca tenha por proveitoso aquilo que o obrigaria a quebrar sua promessa, perder o respeito próprio, odiar, suspeitar, amaldiçoar ou fingir. Quem prefere a tudo a própria inteligência e o seu deus interior não precisa nem de solidão nem de multidões.
Quando alguém que realmente tentou encontrou nessas tarefas algo falso? Quando elas não se mostraram mais fáceis na prática? A nossa falta de confiança não é resultado da dificuldade; a dificuldade é que nasce da nossa falta de confiança.
O tirano acorrentará — o quê? A perna. Tomará — o quê? O pescoço. O que ele nunca poderá acorrentar nem tomar? A vontade. Por isso os antigos ensinavam: conheça a si mesmo. Comece pelas pequenas coisas e avance até as maiores.
A mente que governa não exige matéria fixa. Ela faz matéria daquilo que a contraria, como o fogo se apodera do que nele cai. O que apagaria uma pequena chama alimenta o fogo forte e o faz erguer-se mais alto.
Livre-se do ouro e da prata e de tudo o mais que sobrecarrega as nossas casas ricamente mobiliadas. A liberdade não se compra por nada; se você dá grande valor à liberdade, então tudo o mais deve ter pouco valor.
São as suas próprias opiniões que o perturbam. Quando o tirano ameaça acorrentar sua perna, aquele que dá valor à perna implora por piedade. Mas aquele que dá valor à sua vontade diz: se assim lhe convém, acorrente.
Entre os princípios mais à mão, guarde este primeiro: as coisas externas não tocam a alma. Elas permanecem imóveis. Toda perturbação que você sente vem apenas da opinião que se forma dentro de você.
A nossa alma precisa se moldar a esta lei — segui-la, obedecer-lhe. O que quer que lhe sobrevenha, receba-o como algo que tinha de sobrevir. Poupe-se do ímpeto de se enfurecer contra a Natureza.
Guarde o que é seu. Não reivindique o que pertence aos outros. Use o que lhe é dado. Quando algo lhe for tomado, devolva de bom grado e seja grato pelo tempo em que o teve.
O que é mal para você não reside em outra pessoa, nem em qualquer mudança do seu corpo. Reside na parte de você que forma opiniões sobre o mal. Que essa parte não forme opiniões, e tudo estará bem.
Quer os deuses tenham designado guardiões particulares a cada um de nós, quer estejamos entregues às mãos da Fortuna, nenhuma praga mais pesada pode cair sobre um homem do que desejá-lo em guerra consigo mesmo.
Aquele que não sabe quem é, o que é verdadeiro ou falso, o que é bom ou mau, não pode desejar nem agir com acerto. Anda mudo e cego, pensando ser alguém.
Seja como o promontório contra o qual as ondas continuamente se quebram — ele se mantém firme e doma a água. Sou infeliz porque isto me aconteceu? De modo algum — feliz, antes, pois continuo livre de dor, não esmagado nem pelo presente nem pelo futuro.
Há uma sentença do nosso filósofo Posidônio — nunca se julgue seguro só porque acontece de empunhar as armas da Fortuna; lute, antes, com as armas que são suas.
Exercite-se todos os dias. A cada manhã, examine cada pessoa e cada coisa. Aplique a regra. Isto está dentro da vontade ou fora dela? Fora dela. Então afaste-o.
Ponha-se em movimento, se está em seu poder, e não fique olhando em volta para ver se alguém o observa. Não espere a República de Platão; contente-se se a menor coisa correr bem.
Nada sabem daquele reino cuja grandeza se iguala aos céus. Governar a si mesmo é o mais alto governo. Que ela me ensine quão sagrada coisa é a Justiça — sempre atenta ao bem alheio.
Ele suportou a condenação com bravura. Isso está dentro da vontade. Isso é um bem. Seu filho morreu. O que aconteceu? Seu filho morreu. Nada mais. O resto é acréscimo seu.
Os livros
366 Manhãs Estoicas e a série 90 Dias — uma passagem para cada manhã, na Kindle e no Google Play Livros.
Ver os livros →