Frases estoicas sobre a morte
Os estoicos escreveram sobre a morte mais do que sobre quase qualquer outra coisa, e não por mórbidos. Tinham notado algo prático: quem aceitou de verdade que a própria vida termina se comporta de outro jeito hoje. Adia menos, perdoa mais rápido e é mais difícil de assustar. Marco Aurélio lembrava a si mesmo que imperadores, médicos e filósofos morreram do mesmo modo; Sêneca sustentava que não morremos de repente no fim, mas que viemos morrendo o caminho todo; Epicteto pedia aos alunos que se lembrassem, ao beijar o filho, de que o filho é mortal. Leia devagar. Não é para deprimir, é para devolver sua atenção às horas que ainda existem.
24 passagens — Marco Aurélio, Sêneca, Epicteto
Partir desta vida, se há deuses, não é coisa a temer — eles não o envolverão no mal. E se os deuses não existem ou não se importam, o que é viver num mundo sem deuses ou sem providência?
Tramamos longas travessias pelo mar, regressos adiados, campanhas de guerra, a lenta subida dos cargos — enquanto a morte permanece silenciosa ao nosso lado. Como a imaginamos abatendo-se apenas sobre o próximo, as perdas diárias se acumulam ao nosso redor quase sem que as notemos.
Faço a única coisa que posso: não me afogar em medo, nem gritar, nem culpar Deus. O que foi produzido há de perecer. Sou um homem, uma parte do todo, como uma hora é parte do dia.
Olhe a morte em si mesma. Despoje-a das imagens que sua imaginação acrescenta. Você verá que não é senão uma operação da natureza. Temer uma operação da natureza é coisa de criança.
Ordene a sua mente como se tivesse chegado ao fim. Não adie nada. Acerte as contas da vida a cada dia. O maior defeito da vida é que ela está sempre imperfeita, e parte dela está sempre adiada.
Quando você beijar seu filho, irmão ou amigo, não dê plena rédea à impressão; não deixe o prazer correr sem freio. Contenha-o, refreie-o — como aqueles que ficavam atrás dos homens em seus triunfos para lembrá-los de que são mortais.
Duas coisas a ter em mente. Todas as coisas, desde a eternidade, repetem-se em formas iguais — cem anos não veem nada de novo. E o que vive mais e o que morre mais cedo perdem exatamente o mesmo.
Livre-se dessa fome de vida. Pouco importa a hora em que o seu sofrimento chega — em algum momento, você terá de sofrer. O que importa não é a duração do seu viver, mas a sua nobreza.
Se a morte me surpreender ocupado nessas coisas, basta-me poder dizer a Deus: os meios que de você recebi para seguir o seu governo, eu não os negligenciei.
Tudo o que pertence ao corpo é um rio. Tudo o que pertence à alma, um sonho e um vapor. A vida é uma guerra e a estada de um estrangeiro. Depois da fama, o esquecimento. O que pode guiar uma pessoa? Uma só coisa: a filosofia.
Cada dia, cada hora expõe quão ínfimos somos — prova renovada de que a fragilidade nos escapou da mente. Enquanto tramamos para as eras por vir, os instantes nos obrigam a olhar para trás, onde a Morte espera.
Seja o que for que eu seja — um pouco de carne, sopro e uma mente que governa. Largue seus livros. Pare de se distrair. Como quem morre agora, despreze a carne: sangue e ossos, um tecido de nervos e veias.
O próprio dia que você teme como o fim de tudo é a aurora da sua eternidade. Por que hesitar? Ponha de lado o seu fardo — você já deixou este esconderijo de carne uma vez antes.
Nunca tenha por proveitoso aquilo que o obrigaria a quebrar sua promessa, perder o respeito próprio, odiar, suspeitar, amaldiçoar ou fingir. Quem prefere a tudo a própria inteligência e o seu deus interior não precisa nem de solidão nem de multidões.
Às vezes a vida precisa ser chamada de volta e retida à beira dos lábios, mesmo com grande sofrimento, por aqueles que amamos e que contam conosco. O homem bom não vive enquanto lhe apraz, mas enquanto o dever o obriga.
Pense em quantos médicos estão mortos depois de franzir o cenho sobre os doentes, quantos filósofos depois de falar sem fim da morte, quantos heróis depois de matar milhares, quantos tiranos depois de exercer o poder como se fossem imortais.
Nada favorece mais a moderação do que recordar sem cessar que a vida, aqui, é breve e incerta. Faça o que fizer, mantenha diante de si o pensamento da morte.
A morte é da mesma espécie que o nascimento: um mistério da natureza, uma composição a partir de certos elementos e uma decomposição de volta a eles. Não é coisa de que alguém deva se envergonhar.
Assim como, sem o seu consentimento, ficou decidido que um dia você morrerá, também a hora em que poderá escolher morrer repousa nas suas próprias mãos. A primeira é necessidade; a segunda, um privilégio.
Em breve, muito em breve, você será cinza, ou um esqueleto — e ou um nome, ou nem mesmo um nome. Um nome em si é apenas som e eco. As coisas mais valorizadas na vida são vazias, podres, insignificantes.
O coração mostra sua mais alta divindade ao ponderar a própria morte — ao compreender que a tarefa do homem é cumprir a sua vida, que o corpo não é casa fixa, mas pousada, a deixar para trás quando o anfitrião já tiver o bastante.
O caráter moral em sua perfeição consiste nisto: viver cada dia como se fosse o último, jamais violentamente agitado, jamais entorpecido, jamais bancando o hipócrita.
O que chamo de futuro acontece agora, e boa parte dele já passou — é feito dos nossos dias idos. Erramos ao temer apenas o dia final; cada dia gasto é pago à morte.
Sempre que você agir, pergunte: como isto se dá comigo? Vou me arrepender disto? Em pouco tempo estarei morto, e tudo isso terá passado.
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